quinta-feira, 4 de junho de 2009

Sobre mastigar mastigar e cuspir de volta, igualzinho

Cansei das minhas palavras gastas.
De mim tão redundante.
Dessa cópia barata de mim mesma reproduzida um milhão de vezes igual igual e de novo...
Não sei. É só que parece que não consigo mais escrever as coisas.
Talvez seja só o frio.
Espero que não seja apatia à vida. Tudo, menos apatia.
Morro de medo de perder a capacidade de contemplação.

Parece que algo já se perdeu. Talvez tenha sido a sorte.
Mala suerte.

Queria deitar de novo no colo d'agua de Iemanjá, chupar-lhe os peitos com devoção, e então dormir em paz.

5 comentários:

Tiago de Aragão disse...

que seja o frio!

Vinicius disse...

me reconheci no texto. nesse medo grande da apatia. melhor seria empatia, que acredito estar relacionada a essa capacidade de contemplação. contemplar a partir do ponto de compreender um significado que espera para ser descoberto. daí surge essa contemplação. é um sentimento bom, se for o caso de estarmos pensando na mesma coisa. gostei das palavras daqui. vou visitar mais vezes...

Tati Plens disse...

eu tô com essa sensação mesmo de redundância, fico com raiva de eu mesma. parece que vou escrever e sempre escrevo as mesmas coisas, com as mesmas palavras... nada parece novo.

e perder esse sentimento de contemplação, trocá-lo pela apatia, acho que eu me perderia de mim daí...

eu achei que você ia gostar do livro da clarice que te emprestei bem pela contemplação, pelo jeito que ela vai contemplando cada coisa...

Anna Paula Stolf disse...

as palavras viciam como roupa ou música, né? aí parece que a gente é sempre as mesmas palavras...
meu fim geralmente é nuvem, névoa, desmaio ou comida. tô querendo mudar, mas é tão difícil. até fiz o blog "vida franzida" pra ver se ajudava, mas estão tão devagar os pensamentos por lá :/

vou te linkar pra passar aqui de vez em quando

flyingplatypus disse...

me lembrei disso :

http://www.youtube.com/watch?v=wRE4zP826yA