terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Viajantes na tormenta

A lua está quase cheia e o balanço de vômito do ônibus é uma injeção de conforto no meu braço que a gente esburacou. Porque se ele parar, eu também páro.
Alguma coisa tem que se mexer aqui - e eu mal consigo respirar. Tem só estes ratos(os nossos ratos) correndo e rasgando tudo furiosos aqui dentro.
E eu aqui divagando sobre ficar acordada e a morte, o amor e o amor, o suor e as estradas pesadas que me levam à ti.
É como se eu estivesse sentada no canto oposto de um outro salão enorme vazio no lado sem sol da cidade, e a ponte quebrou e eu não posso chegar até aí. Não posso, eu não posso! Não há nenhuma ponte rápida aqui. Não é tão fácil quanto atravessar a porta do quarto e roubar o ar que vem direto do teu nariz when you sleep nos tons de azul que a madrugada te pinta tão bonito. Não é, e isto me sangra.
Meu peito já foi todo escorrido pelos gritos e agora jaz aqui no chão do meu lado, ardido.
Ardendo.

4 comentários:

cadeiravazia disse...

de mãos dadas, ali na calçada.

Otavio disse...

adorei duda! n sabia q vc tinha uma veia literária..
perdi seu msn garota.. talvez vc nem lembre de mim, mas sei q msm assim a curiosidade te levaria a me adicionar, entao tae:
shuzaum@hotmail.com

Tati Plens disse...

fico lendo esse texto e imaginando você sentada no banco e a luz na estrada entrando suave pela janela do ônibus, todos dormindo e você acordada, com um turbilhão passando pela mente...

e quanto ao comentário no meu, também penso às vezes como a gente percebe as mesmas coisas diferentes com o tempo.. é incrível mesmo.

você realmente faz parte das pessoas que me dão um certo alívio por existirem... é tão díficil achar quem dê tanto espaço às sensações e tenha uma percepção tão aguçada... ler os teus comentários sempre me deixa tranquila.

Daniel disse...

Like a dog without a bone
An actor out on loan
Riders on the storm